
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira e do Conselho Diretivo da Fundação Bienal de Arte de Cerveira
Vila Nova de Cerveira é, mais do que um território, uma forma de estar no mundo. Um verdadeiro “Território sem Fronteira”.
Somos filhos do Rio Minho - esse rio que nunca separou Portugal da Galiza. Pelo contrário, sempre uniu famílias, afetos, culturas, tradições e sonhos partilhados. Ao longo de gerações, o rio foi abraço antes de ser limite.
O Minho corre na identidade do nosso povo. Guarda memórias de coragem e resistência, de contrabando vivido com engenho e necessidade, de enamoramentos nascidos entre as duas margens, de vidas que encontraram nas águas não uma barreira, mas um caminho de encontro e esperança.
Porque um território faz-se, acima de tudo, das suas pessoas. São elas que transportam a memória coletiva, que preservam as raízes, que dão alma à história e sentido ao futuro. São elas que transformam lugares em pertença.
Ao longo dos anos, Vila Nova de Cerveira soube abrir-se ao mundo. Construímos pontes com diferentes países, afirmámo-nos internacionalmente em diversas áreas e cultivámos uma identidade assente na cooperação, na proximidade e na abertura.
Mas talvez seja na cultura e na arte que melhor se revela a essência do nosso concelho: uma ‘Vila das Artes’ livre, democrática, criativa e universal.
A Bienal Internacional de Arte de Cerveira é hoje um símbolo maior dessa identidade. Uma referência incontornável para o concelho, para a região, para Portugal e para o mundo. Um espaço onde a liberdade criativa floresce, onde diferentes culturas se encontram, onde a arte se transforma em linguagem universal capaz de unir aquilo que tantas vezes parece distante.
A Fundação Bienal de Arte de Cerveira continua a desafiar-nos pela coragem de trazer à reflexão temas atuais, inquietantes e profundamente humanos. E esta XXIV edição surge num momento particularmente sensível da nossa história coletiva.
Vivemos tempos em que, apesar de acreditarmos num mundo cada vez mais próximo e global, continuam a erguer-se novas fronteiras. Já não apenas fronteiras físicas, mas fronteiras silenciosas que ameaçam o diálogo, enfraquecem a cooperação.
Mas Vila Nova de Cerveira escolhe afirmar-se precisamente no sentido contrário.
Somos um exemplo vivo de como é possível viver sem fronteiras com os nossos ‘hermanos’ da Galiza. Vivemos diariamente essa ligação na forma como olhamos o futuro: mais humano, mais colaborativo e mais próximo.
É essa visão que a Bienal Internacional de Arte de Cerveira continua também a levar ao mundo: a cultura como território livre, sem muros, onde diferentes identidades se encontram através da criatividade, da reflexão e da democracia.
Há quem aceite as fronteiras. E há quem tenha a coragem de as ultrapassar todos os dias.
Vila Nova de Cerveira escolhe a segunda opção: ser um território aberto ao mundo, um lugar onde a cultura aproxima, a arte transforma e a humanidade prevalece.
Temos o dever de continuar a valorizar aquilo que é nosso, de cuidar da nossa identidade e de trabalhar diariamente o futuro com ambição, visão e esperança.
É exatamente essa visão que faz de Vila Nova de Cerveira um concelho além-fronteiras.
Sejam muito bem-vindos à XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira.